Uma pesquisa global realizada pela S&P Global Financial Literacy Survey concluiu que, dois em cada três adultos do mundo são analfabetos financeiros. No Brasil, esse número também é alarmante — apenas 40% dos brasileiros que têm acesso aos serviços bancários possuem um conhecimento satisfatório sobre finanças.

A verdade é que investir é ainda um grande tabu no país. As pessoas têm medo de aplicar capital e se limitam a investir na poupança por anos a fio. Entretanto, a poupança é um dos piores investimentos disponíveis hoje no mercado.

Pensando nisso, preparamos o post de hoje com o objetivo de lhe convencer, de uma vez por todas, que investir na poupança não vale a pena! Acompanhe!

Como funciona a rentabilidade da poupança?

Atualmente, a rentabilidade da poupança é baseada em dois indicadores: a taxa de juros básica SELIC e a Taxa Referencial (TR). Assim, a caderneta rende da seguinte forma:

  • se a taxa SELIC for superior a 8,5% ao ano, a poupança renderá 0,5% mais a TR;
  • caso a taxa SELIC seja igual ou inferior a 8,5% ao ano, a poupança renderá 70% da meta da taxa SELIC para o ano mais a TR.

O grande problema é que existe uma forte correlação entre a taxa SELIC e a TR: se a SELIC é reduzida, a TR tende a despencar.

Vivemos em um período de redução gradual da taxa de juros básica para que a economia seja reaquecida, por isso, como se não bastasse um histórico de TR quase zerada, essa taxa tende a cair ainda mais nos próximos meses.

Com a TR próxima a zero, a poupança rende, nos dias de hoje, 0,5% ao mês — valor irrisório que não consegue suprir nem mesmo a inflação.

Em outras palavras, com a alta dos preços, o consumidor gastará mais para pagar pelos itens de compras e serviços essenciais, e deixando o dinheiro na poupança, ele, na verdade, perde capital em vez de ganhar!

Por que não vale a pena investir na poupança?

Confira 3 razões pelas quais você deve repensar suas aplicações na caderneta de poupança e considerar outros tipos de investimentos!

Baixa rentabilidade

Como comentamos acima, a rentabilidade da poupança é uma das mais baixas do mercado porque o investimento é indexado à TR.

Assim, imagine que a TR esteja muito próxima a zero e você poupe R$ 200. Ao final de um mês, a sua rentabilidade terá sido de R$ 1. Com R$ 1 será impossível cobrir a diferença de preços de um mês para o outro e você terá prejuízo em vez de lucro!

Ausência de rendimento no curtíssimo prazo

Embora a poupança tenha liquidez diária — o que significa que o dinheiro possa ser resgatado a qualquer momento —, ela só gera rentabilidade a cada 30 dias. Isso significa que se você colocar recursos em sua conta, terá de esperar o aniversário do depósito para sacá-los. Caso contrário, o rendimento terá sido nulo.

Riscos de crédito

Há um mito de que investir na poupança é 100% seguro. Entretanto, da mesma forma que outros investimentos, a caderneta está sujeita ao risco de crédito.

Se o banco quebrar, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) garantirá valores de até R$ 250 mil ao investidor. Quantias acima desse montante serão perdidas. A única exceção é a Caixa Econômica Federal que garante 100% dos recursos aplicados.

Quais outras opções de investimento são mais rentáveis que a poupança?

Ainda que a poupança apresente alguns atrativos aos investidores de primeira viagem, como isenção de Imposto de Renda (IR), garantia do FGC e facilidade para abrir uma conta, essa aplicação está longe de ser uma boa opção para quem deseja lucrar mais.

Por isso, confira abaixo algumas alternativas de renda fixa que poderão lhe proporcionar uma rentabilidade significativa no curto e médio prazo:

Tesouro Direto

O Tesouro Direto corresponde aos papeis emitidos pelo Tesouro Nacional com o objetivo de custear a dívida pública e determinadas atividades do Estado. A partir do ano de 2002, essa opção de aplicação passou a ser acessível ao investidor pessoa física, que pode comprar os títulos públicos online por meio de uma corretora de valores.

A grande vantagem do Tesouro Direto é a possibilidade do investidor começar a comprar títulos com pequenas quantias, que variam de R$ 30 a R$ 100.

Da mesma forma que a poupança, esse investimento é garantido pelo FGC no limite de R$ 250 mil. Entretanto, os títulos públicos contam com uma segurança a mais, uma vez que o risco de crédito do governo é baixíssimo. Mesmo que o Estado não consiga pagar seus credores poderá, em último caso, emitir moeda para adimplir suas dívidas.

Há várias opções de títulos públicos oferecidos pelo Tesouro Direto, com diferentes prazos e valores mínimos. O Tesouro Selic (LFT), por exemplo, é uma boa opção para quem precisa de liquidez imediata — o investidor poderá resgatar seus recursos antes do prazo estipulado, sem ter de arcar com prejuízos.

LCI e LCA

As Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Agronegócio (LCA) são ativos de renda fixa emitidos pelas instituições financeiras para fomentar determinados setores da economia. Assim, os bancos emitem os papeis e com o capital recolhido, concedem empréstimos a pessoas físicas e jurídicas para que empreguem os recursos no setor imobiliário e de agronegócio.

Assim como a poupança, esses produtos financeiros são isentos de IR e possuem a garantia do FGC. Por isso, o risco é baixíssimo e o investidor terá seu capital de até R$ 250 mil preservado, caso o banco venha a falir.

O investidor pode escolher entre títulos com rendimentos pré-fixados, ou seja, que já possuem um valor fixado até o vencimento, ou pós-fixados, geralmente indexados ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI).

CDB

Os CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) funcionam de maneira muito semelhantes às LCIs e LCAs — as instituições financeiras emitem esses títulos para captar recursos e repassá-los aos seus clientes sob a forma de empréstimos e financiamentos.

Os bancos e corretoras costumam oferecer uma grande variedade de CDBs com liquidez diária e retorno significativamente maior do que na poupança.

O mais comum é que os CDBs sejam pós-fixados e atrelados à taxa CDI. Esses ativos também são resguardados pelo FGC, mas possuem IR de acordo com a seguinte tabela regressiva:

  • Aplicações com prazo de até 180 dias — 22,5% de alíquota de IR;
  • prazos entre 181 e 360 dias — 20% de IR;
  • prazos entre 361 e 720 dias — 17,5 % de IR;
  • prazos superiores a 720 dias — 15% de IR.

Assim, quanto mais tempo o capital ficar aplicado, menor será a incidência de IR. Embora haja tributação, os investimentos em CDBs ainda compensam mais do que investir na poupança.

Muitos investidores guardam dinheiro na poupança por não terem grandes quantias de capital quando estão começando seus investimentos. Além disso, pensam que investir em outros produtos é arriscado e inacessível.

No entanto, como demonstramos, há alternativas extremamente interessantes para pequenos investidores que querem ver seu dinheiro render bons frutos, sem se preocuparem com o risco de crédito.

Gostou de saber por que investir na poupança não é uma opção vantajosa nos dias de hoje? Então, não deixe de compartilhar esse post nas redes sociais e, quem sabe, também convencer seus amigos a realocar seus recursos?