Você sabe exatamente qual é o custo de um funcionário regularmente registrado em sua oficina?

O Brasil é um país com uma legislação trabalhista muito complexa com várias regras de proteção ao trabalhador, o que acaba gerando uma série de dúvidas e as principais delas estão relacionadas ao custo de um trabalhador.

Nosso objetivo com este artigo é mostrar, de maneira simples, quais os custos que envolvem a contratação e manutenção de um funcionário dentro de sua oficina, bem como as diferenças que existem entre empresas enquadradas em regimes tributários diferentes. Confira!

Qual é o custo de um funcionário para a empresa?

Talvez você já tenha ouvido alguém dizer que um funcionário custa mensalmente para a empresa um valor equivalente a 50% ou mais do salário que ele recebe.

Apesar de ser uma especulação de pessoas sem muito conhecimento sobre a legislação trabalhista, em alguns casos, esse valor não está muito diferente da realidade.

Estudos aprofundados, feitos por especialistas, afirmam que o custo de um funcionário pode chegar, até mesmo, a 3 vezes seu salário mensal, dependendo do tempo que o funcionário permanece na empresa, suas necessidades de reciclagem e treinamentos, previsões de custos com possível desligamento e equipamentos de proteção individual (EPI)

No entanto, essa estimativa depende de uma análise aprofundada e específica de cada caso.

Para saber, de modo geral, o custo de um funcionário para a empresa, você precisa conhecer os tributos que incidem sobre a folha e, o principal, qual é o regime de tributação da sua oficina. Ele poderá ser: lucro real, presumido ou simples nacional.

Primeiro, vamos mostrar as alíquotas de um modo geral e, em seguida, como esses percentuais podem ser diferentes dependendo do tipo de regime tributário que a oficina está enquadrada.

Quais são os percentuais sobre a folha de pagamento?

Em geral, existem uma série de impostos que incidem sobre a folha de pagamento, e a responsabilidade de seu recolhimento recai exclusivamente sobre o empregador. São eles:

  • 13º salário;

  • férias (o terço constitucional, popularmente conhecido como “1/3 de férias”);

  • despesas com transporte em geral;

  • plano de saúde;

  • seguro de vida;

  • horas extras (que reflete no cálculo do 13º);

  • contribuição previdenciária;

  • ajustes salariais de acordo com as convenções, acordos coletivos ou o simples reajuste anual;

  • FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço);

  • despesas com terceiros (vários órgãos de contribuição obrigatória que compõem a guia de recolhimento do FGTS).

Essas são as despesas gerais que incidem sobre o salário de um funcionário regularmente contratado em sua oficina mecânica.

Alguns desses impostos ou contribuições são suprimidos ou têm alíquotas diferenciadas para cada tipo de regime de tributação, vamos conferi-los a partir de agora.

O que é o Simples Nacional?

O Simples é um regime de tributação diferenciado que visa tornar o recolhimento de impostos um processo menos penoso para a empresa.

Com as despesas trabalhistas, essa regra não poderia ser diferente. Optando por ele, as empresas têm um benefício muito grande na redução dos valores pagos a título de impostos e contribuições incidentes sobre a folha de pagamento.

Para exemplificar de forma clara e objetiva, vamos criar uma situação hipotética onde você deseja saber o custo de um mecânico de sua oficina que recebe o valor mensal de R$ 2.000,00. Nesse caso, teremos:

  • 8% referente ao FGTS mensal;

  • provisão de férias, ou seja, 1/12 avos;

  • provisão do terço constitucional (1/3 de férias) incidente sobre o valor anterior;

  • provisão para 13° salário (1/12 avos).

Ainda temos que deduzir do salário do empregado o percentual de 8% de INSS.

Portanto teremos:

  • salário mensal: R$ 2.000,00;

  • FGTS: R$ 160,00;

  • provisão para férias: R$ 166,66 (chegamos nesse valor dividindo o salário do empregado por 12);

  • provisão para o terço constitucional: R$ 55,56 (esse valor é o equivalente a 1/3 da provisão para férias);

  • provisão para 13° Salário: R$ 166,66 (assim como nas férias, divide-se o salário por 12);

  • custo total do funcionário: R$ 2.548,88.

As provisões que mencionamos na memória de cálculo, basicamente, são reservas que toda empresa deve constituir.

Sabemos que essas despesas ocorrerão no tempo certo, não há como fugir delas. Então, é altamente recomendável que você calcule e reserve esse valor mensalmente para que, quando o efetivo pagamento ocorrer, não apareça nenhuma surpresa.

Outra questão importante a ser mencionada sobre o custo de um funcionário para empresas tributadas pelo Simples Nacional é com relação à aplicação do percentual de 20% sobre o total da folha a título de contribuição previdenciária.

Existem algumas atividades do anexo IV do Simples Nacional que são obrigadas ao pagamento desse valor.

O que é o Lucro Real ou Presumido?

As empresas tributadas pelo Lucro Real ou Presumido são aquelas que possuem um faturamento superior a R$ 3,6 milhões por ano ou exploram atividades impedidas de enquadramento pelo Simples Nacional.

A forma de cálculo do custo de um funcionário nesses regimes de tributação é muito parecida com o anterior, no entanto, alguns acréscimos devem ser feitos.

O primeiro reflete na guia de recolhimento do FGTS, que são os chamados terceiros. São instituições relacionadas à prestação ligadas à segurança do trabalho, bem como programas do governo como o SESI, SESC e SENAI, que geralmente giram em torno de 5% sobre o salário do empregado.

Além disso, outro valor que, realmente, é o diferencial desses regimes de tributação é o recolhimento da contribuição previdenciária ou, como é conhecida, “INSS Patronal”.

Essa contribuição é de 20% sobre o total de proventos da folha de pagamento, ou seja, sobre o salário acrescido dos benefícios recebidos pelos empregados.

Para demonstrar o cálculo, vamos utilizar o mesmo exemplo anterior, agora teremos:

  • salário mensal: R$ 2.000,00;

  • FGTS: R$ 260,00 (8% de FGTS e 5% de terceiros);

  • provisão para férias: R$ 166,66 (chegamos nesse valor dividindo o salário do empregado por 12);

  • provisão para o terço constitucional: R$ 55,56 (esse valor é o equivalente a 1/3 da provisão para férias);

  • provisão para 13° Salário: R$ 166,66 (assim como nas férias, divide-se o salário por 12);

  • contribuição previdenciária (INSS Patronal): R$ 400,00;

  • custo total do funcionário: R$ 3.048,88.

Nesses dois regimes de tributação, como você pode perceber, o custo de um funcionário é consideravelmente maior, mais de 50% do seu salário mensal.

Vale lembrar que existe um custo que dificilmente poderá ser mensurado, que é o valor pago referente à multa rescisória, correspondente a 50% do saldo de FGTS da conta do funcionário vinculada a empresa.

Como esse valor é acumulado ao longo do período em que ele prestou serviço, é muito difícil acompanhar esses valores.

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